NAPA



Ao nos deparamos com a história de certos movimentos artísticos, devemos atentar para o amadurecimento dos artistas que os integram, neste ano completo onze anos que registro os grafites pelas cidade de Londrina, em meio a esses registros acompanhei muitas transformações técnicas e temáticas nos trabalhos. Isso também reflete na diversidade de espaços ocupados por essa arte ainda  marginal. 

Percorrendo as ruas da região norte a história da arte do grafite ainda resiste em alguns muros. Nestas imagens podemos ler os primeiros traços destes artistas. Seus estudos de composição de cores e bicos. Nesta postagem apresento quatro momentos técnicos e temáticos do grafiteiro NAPA. Desde seus grafites de 2004 nos limites do conjunto Maria Cecília e suas poucas cores às produções de 2018.










Nestes trabalhos o grafiteiro já esboçava suas intenções quanto à representação de seus personagens.A tentativa de construção de volumes e transparências são notórias em ambas as composições. Os trabalhos são datados pelo próprio artista, "2xx4", facilitando a classificação das imagens. Ambas as imagens se encontram na extensão da Rua Izidio Frederico Brito. Entre essa fase inicial e a atual, há fases intermediárias. A fase do "coletivo" que predomina entre 2008 e 2014, analisarei em outro momento dentro do grupo CapStyle. Logo o comparativo das fases se limita a inicial (anterior a 2004) e os desdobramentos de 2014 a 2018. Ou seja, a busca do realismo mencionado pelo próprio artista.


Pintura na entrada do Centro cultural da Zona Norte, Avenida Saul Elkind. Capstyle Crew, 2014.

Em um determinado período o grafiteiro trabalhou com imagens estereotipadas com características de cartuns, olhos saltantes, cores fortes e intensas. Nessa fase se distancia das primeiras propostas de pinturas aqui apresentadas. Isso pode ser visto em pinturas de 2014 e 2015.
A assinatura NAPA ONE recebe uma coroa. Os personagens ganham em plasticidade. As figuras torna-se mais soltas com olhos e dentes de "botões" . Em outros trabalhos do mesmo período, as formas se repetem, vindo a se modificar em composições de 2016, como podemos ver nas imagens realizadas no muro da Escola Municipal do Conjunto João Paz, as cores fortes foram mantidas, assim como as anteriores, os volumes se definem por um jogo de cores complementares e sobretons, mas as figuras tendem à uma representação mais "realista".




O estilo pessoal está bem definido, entretanto, a busca pessoal do artista o levou a uma outra fase técnica e temática que pode ser notada em suas composições ainda em meados de 2015. Isso se consolidará com sua incursão no cenário das artes plásticas em 2016.


Composição no Conjunto Semíramis Braga, próximo ao Centro Cultural CESUMAR, 2015-6 (registro de 2016)

Ainda no conjunto Maria Cecília, recentemente (2018) NAPA realizou uma intervenção no muro do antigo Clube Recreativo do Conjunto Maria Cecília (localizado na Avenida Genis Parra, próximo à Avenida Saul Elkind). O trabalho é assinado NAPA-AGU. Nesta composição percebe-se o grau de maturidade técnica atingida pelo artista. Sua ruptura temática com as figuras estereotipadas de narizes grandes e vermelhos. Sua produção está muito próximo do que definiu como realismo como pode ser visto no trecho abaixo de entrevista concedida à jornalista Marian Trigueiros

  "Só me considerei, realmente, um profissional, quando consegui desenvolver o realismo, ou seja, reproduzir uma imagem exatamente como na foto" (08 de janeiro de 2016 - Exposição Entre Crimes e Cores).





A sombras são construídas como cores complementares. Apesar da forte presença da linha, os volumes estão bem definidos pelo jogo de luz e sombra na figura, a partir de um trabalho de sobreposição de cores. As linhas são delimitadores da forma e do espaço compositivo. 






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