Palhaços tristes

Nos últimos meses deparei-me com algumas criaturas novas pelas paredes de Londrina. São palhaços. quase monocromáticos. De traços simples feitos a pincel e rolo, esses palhaços em branco e preto, com seus narizes vermelhos, ocupam várias paredes nas proximidades do Lago Igapó. Não conheço o autor. Havia visto alguns rabiscos destas formas em spray. Especificamente na área central. Entretanto, as figuras a qual me remeto são produzidas por largos traços de pinceis sobre um fundo branco. As imagens que compartilho neste post, estão nas ruas Astorga, Foz do Iguaçu e a Avenida Voluntários da Pátria .
Essas imagens acima, realizadas Avenida dos Voluntários da Pátria, em um terreno baldio, por detrás de tapumes que cobriam o espaço, em breve serão apagadas, pois a área onde foram pintados, passa por reformas, e em breve se tornará um estacionamento de veículos. Nesta composição percebe-se os traços em spray. Linhas brancas e áreas pretas preenchidas por essa tinta. Algo em comum nos personagens, é a disposição dos olhos. Afetados, movem-se pela face dos personagens. Trazem as seguintes inscrições "Verso, Verdade & Vida".
Outra composição próxima, encontra-se nos restos de uma demolição na esquina da Rua Astorga. Trata-se, de uma figura solitária, absorvida pelo declive do terreno e do mato que cresce. Não muito diferente da composição acima, traz o jogo entre o verbal e o não verbal. Abaixo das ondulações pretas que saem por detrás da cabeça do palhaço, tem-se a inscrição "desculpe".
Desculpar o que?

A última das três composições que registrei nessa área, está na rua Foz do Iguaçu, próxima à Avenida Castelo Branco. Quase imperceptível. Outra cabeça entristecida, flutua no muro com um balão de texto e um ponto de interrogação. De seu corpo frágil, indicado por um pescoço, sai um braço que se estende até o portão em uma mão borrada, como se intentasse abri-lo.
As figuras em seus escorridos e borrões são absorvidas pelo tipo de suporte utilizado, paredes velhas, sem qualquer base de preparo, realçam a expressividade das formas. As linhas grossas mantem a força do desenho. Algo como permanente.
O autor?
De minha caneta, ainda um ilustre desconhecido.













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