O Bosque de Londrina em três momentos
Há pinturas que resistem a leis municipais e ao tempo. As crianças de Carão são resistentes, há aproximadamente um ano fotografei pela primeira vez o conjunto de crianças sorridentes pintadas em uma das paredes do Bosque Municipal. Essa semana retornei ao Bosque, e lá estavam elas. Com o sorriso aberto em seus traços naturalistas. Vasculhando meu acervo encontrei algumas imagens de pinturas entre 2009 e 2012. No mesmo local.
Em 2012 fotografei esse momento. Um instante da pintura integrada a rotina da cidade. O tempo se deslocava entre o olhar perdido do personagem na parede e o homem que em seus lentos caminhava junto. A síntese do urbano. Nem o verde intenso da pintura deslocou a atenção do transeunte.
Hoje, essa pintura não mais existe, em seu lugar, um tom meio verde, meio cinza. Uma cidade limpa.
Nove meses depois de ter sua pintura classificada como propaganda de um estacionamento particular, o artista londrinense Tadeu Roberto de Lima Jr., mais conhecido como Carão, vê outra obra de sua autoria envolvida em nova polêmica.
Na semana passada, um grafite em um dos muros do Bosque Central de Londrina foi apagado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Uma negra, com olhar triste e olho roxo, estampava a parede da avenida Rio de Janeiro. Ao lado esquerdo, uma mensagem pedia: "Não à Violência contra a Mulher". O artista se assustou, na última sexta-feira (26), ao se deparar com o local repintado.
"Eu estava indo para o estúdio quando me deparei com aquilo. Fiquei muito chateado, acho uma total falta de respeito. Fiz um desenho de combate à violência contra as mulheres e eles preferem um cinza do que o meu trabalho", disse o grafiteiro, em entrevista ao Portal Bonde.
A obra, segundo ele, foi feita com material próprio em 2011. "Não reclamo pelo dinheiro, mas pela desvalorização. Não dá para grafitar em Londrina por causa disso. Não culpo o prefeito, nem a secretária de Cultura, mas a CMTU não sabe diferenciar arte de poluição visual", protestou.
A CMTU, por meio da assessoria de imprensa, informou que a pintura dos muros faz parte do processo de revitalização e padronização do bosque bem como de outros espaços públicos. A companhia ainda garantiu que a cobertura não foi uma forma de repressão e agressão ao artista e sua arte, e enfatizou que o serviço já estava programada há alguns meses. Afirmou também que o grafite estava desgastado porque era antigo. Carão, por sua vez, disse que a obra não estava deteriorada. "Todo mundo sabia que aquele trabalho era meu, levava minha assinatura e tinha os meus traços".
Ainda conforme o órgão municipal, o artista está convidado a elaborar um protocolo para grafitar em local público de sua escolha, cujo pedido será analisado por uma comissão interna. As regras seguem o decreto assinado pelo prefeito Alexandre Kireeff em agosto deste ano, cujo texto regulamenta as produções artísticas enquadradas na lei Cidade Limpa.
A partir de agora, quem quiser grafitar em edificações públicas precisa fazer uma solicitação junto à CMTU, com descrição de local, dia e motivos. A arte não pode conter elementos promocionais ou publicitários alusivos a comércios circundados.
As regras surgiram após a polêmica envolvendo o grafite do piloto brasileiro Ayrton Senna, também feito por Carão em um estacionamento na rua Goiás. À época, o estabelecimento foi notificado por propaganda irregular.
Esse registro é de um grafite do Hugo, na mureta logo abaixo ao trabalho do Corneta.
Em 2012 fotografei esse momento. Um instante da pintura integrada a rotina da cidade. O tempo se deslocava entre o olhar perdido do personagem na parede e o homem que em seus lentos caminhava junto. A síntese do urbano. Nem o verde intenso da pintura deslocou a atenção do transeunte.
Hoje, essa pintura não mais existe, em seu lugar, um tom meio verde, meio cinza. Uma cidade limpa.
Um artista e sua obra
Carão tem uma poética clara, seus trabalhos são dotados de uma individualidade inconfundível. Em 2014 se viu envolvido em polêmicas entre a livre expressão da arte do grafite e a Lei Cidade Limpa. O debate gerado entorno da ação dos agentes da CMTU e a postura de defesa de sua obra, levaram a uma alteração na própria Lei. Leia a matéria publicada no Jornal O Bonde:
NO BOSQUE CENTRAL
Após polêmica com Senna, CMTU apaga grafite de artista londrinense
Na semana passada, um grafite em um dos muros do Bosque Central de Londrina foi apagado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Uma negra, com olhar triste e olho roxo, estampava a parede da avenida Rio de Janeiro. Ao lado esquerdo, uma mensagem pedia: "Não à Violência contra a Mulher". O artista se assustou, na última sexta-feira (26), ao se deparar com o local repintado.
Arquivo Pessoal/Carão
A obra, segundo ele, foi feita com material próprio em 2011. "Não reclamo pelo dinheiro, mas pela desvalorização. Não dá para grafitar em Londrina por causa disso. Não culpo o prefeito, nem a secretária de Cultura, mas a CMTU não sabe diferenciar arte de poluição visual", protestou.
Samara Rosenberger/Equipe Bonde
Ainda conforme o órgão municipal, o artista está convidado a elaborar um protocolo para grafitar em local público de sua escolha, cujo pedido será analisado por uma comissão interna. As regras seguem o decreto assinado pelo prefeito Alexandre Kireeff em agosto deste ano, cujo texto regulamenta as produções artísticas enquadradas na lei Cidade Limpa.
A partir de agora, quem quiser grafitar em edificações públicas precisa fazer uma solicitação junto à CMTU, com descrição de local, dia e motivos. A arte não pode conter elementos promocionais ou publicitários alusivos a comércios circundados.
As regras surgiram após a polêmica envolvendo o grafite do piloto brasileiro Ayrton Senna, também feito por Carão em um estacionamento na rua Goiás. À época, o estabelecimento foi notificado por propaganda irregular.
Em 2009, ainda fotografava com uma câmera compacta de 5MB quando registrei algumas pinturas nas paredes do Bosque, dessas imagens que registrei ainda resiste o Rádio vermelho, grafitado pelo Corneta, em uma parede no nível elevado, acima da mureta, quase entre as árvores. Próximo onde antes funcionava uma banca de revistas usadas. O restante, são apenas imagens.
Entre a imagem de 2009 e a registrada recentemente em 2018, o tempo e a grade que se foi.




"Rádio vermelho, grafitado pelo Corneta" na verdade foi grafitado pelo Cláudio Ethos - artista paulista que estudou no curso de Artes Visuais Uel turma de 2005 https://nanu.blog.br/na-nuzeando-claudio-ethos/ https://bronx1985.files.wordpress.com/2011/03/claudio-ethos-artwork-5.jpg https://www.instagram.com/claudioethos/?hl=pt-br
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